É como se eu tivesse ido ao médico e ele ter afirmado com todas as letras, sem rodeios e delongas, que minha vida terminaria em breve. Como se tivesse me dito que teria apenas mais seis meses pela frente, podendo prorrogá-los por no máximo sete.

Um turbilhão de sentimentos assolam-se no meu ser. É uma desânimo e uma euforia que caminham juntos. A linha é tênue entre eles e em questão de segundos troco o sentimento. É uma sensação de impotência.
Não adianta, não tenho escolha.
Não, não tem como burlar certas coisas, nem dar um jeitinho. Fala-se de sentimentos, de saúde, de planos, de vidas diferentes.
A gente sempre pensa que certas coisas nunca acontecerão conosco, só com os outros, nos livros, nas novelas. Pensamos que somos imunes e que tudo é muito distante, mas, num determinado momento de nossas vidas, percebemos que somos tão frágeis e desprotegidos como qualquer mocinha boba de um também qualquer folhetim barato.
É frustrante.
Ao mesmo tempo você pensa em desistir e se entregar de vez ao fadado destino predeterminado e também pensa em viver ao máximo, fazer tudo que pode nesse curto espaço de tempo. Passa a ser mais humano, permitir-se. Fazer tudo que sempre quis, mas a timidez ou a falta de grana impediam. Passa a achar banais e estúpidos assuntos que antes te tiravam do sério.
Você percebe a pouca importância que sua pessoa tinha pra quem você estimava em demasia e o quanto era querido e estimado por quem você desdenhava, não dava bola e até menosprezava. Sente-se uma tola! Injusta! Ingrata!
Quer voltar no tempo, mas não é possível, nem mesmo avançar, dadas as condições e limitações.
Quando você está prestes a morrer, é que aprende a viver |