Ótimo pra ela e péssimo pra mim, que fiquei mais sozinha que nunca. Eu não tinha como pagar a faculdade de Jornalismo, porque eu queria ir pra PUC, mas era impossível pra mim naquele momento. Levei a faculdade por mais um semestre, perdendo incontáveis aulas, até que, no semestre seguinte resolvi dar rumo à minha história, afinal, a vida era minha e eu já tinha vinte e um anos. Fisicamente já era adulta, apesar da mente atrofiada em certos momentos. Não podia mais suportar tanta pressão, aflição, angústia, tristeza, depressão, falsidade, hipocrisia etc. Pus na minha mente que passaria no vestibular de qualquer jeito, nem que fosse para Oboé! O que matava eram os testes de habilidades específicas . E não sabia o que era um oboé.
Sei que não foi muito correto de minha parte, mas em determinado momento, parei de ir à faculdade. Porém, ela continuava sendo paga. Sentia remorso, confesso, mas foi necessário. Minha mãe saía cedo pra trabalhar e eu continuava dormindo, dizendo que levantaria em meia hora. Não atendia o celular, dando a desculpa de estar na aula e no início da tarde chegava à casa de minha avó com mochila livros e tudo o mais, na maior cara de pau. Ainda que tardio, o fatídico dia chegou. Enfrentei a tudo e a todos e anunciei que estava largando a faculdade. Todos já sabiam os motivos, mas mesmo assim fiz questão de citá-los um por um. Minha vózinha ficou desolada, minha mãe , indignada. Discutimos e ouvi poucas e boas, mas falei também. Fui chamada até mesmo de burra e ingrata, por não dar estar dando valor e sabendo aproveitar uma oportunidade que muitos sonham, mas poucos podem ter. Nada que elas dissessem faria com que mudasse de idéia, pois estava decidida. Depois de muitas conversas e discussões, aceitaram pagar um curso pré-vestibular pra mim e tratei logo de inscreve-me, antes que mudassem os planos. Opti por Letras,com habilitação em Alemão. Já estava formada em Inglês e entendia bem o Espanhol. Nunca tive muita vontade de aprender francês e o Alemão não era mais um monstro indecifrável para mim; decidi aprofundar-me e tê-lo como um diferencial. Seriam oito ou dez sábados acordando às seis, pra sair à sete e chegar ao cursinho às sete e meia. Fui a dois ou três e nenhuma das vezes assisti às aulas por completo. Aquele climinha pré-universitário me enojava! Piadinhas idiotas dos professores, estatísticas de notas, relações candidato-vaga dos últimos setenta anos na ponta da língua, cotas, fórmulas, raiz... Ficava louca! Percebi que já tinha passado de fase e aquele ambiente era muito infantil pra mim. Nem na mitocôndria eu acreditava mais! Tudo tornara-se chato e blasé. Sei que é complexo, mas não tanto quanto o de Golgi.
Pois bem, antes das provas chegarem e tudo mais, eis que meu progenitor , passados alguns anos vivendo com outra família e não estando nem aí pra mim e minha irmã, ressurge das cinzas e tenta a todo custo nos reconquistar. Não entrarei em muitos detalhes( pelo menos não agora), mas essa reaproximação teve um lado positivo. A priori, ele comprometera-se a pagar toda a minha faculdade, inclusive dizendo que eu poderia estudar na PUC, mas passado pouquíssimo tempo, alegou não ter condições, mas que ainda assim ajudaria-me, pagando metade do valor a cada mês. Como era de se esperar, com o decorrer da vida, ele não pagou mais. Iniciei então meu tão almejado curso de Comunicação Social na mesma faculdade onde fazia Ciências Sociais, porém, e outra unidade. Minha primeira aula foi de Economia. Broxante! Mas senti-me tão bem! Logo fiz uma meia dúzia de amigos e dedicava-me bastante à faculdade. No meu primeiro período, já participava de um dos programas da rádio, fazia cursos extras oferecidos pela universidade, assistia palestras e tudo mais que se possa imaginar. Era uma aluna exemplar. (c0ntinua) |