Estava entediada e apática. Sentada em frente ao computador lamuriando-se pelo grande marasmo que sua vida havia se tornado. ''- Estou farta!''- dizia ela aos gritos. Gritos estes sufocados em seus pensamentos, pois nem mesmo gritar ela podia. Tornara-se uma prisioneira de suas emoções. Queria apenas estar sozinha, já que não podia estar na multidão que escolhera. Estava cansada, inquieta, passava mal, suas mãos tremiam e mal conseguia teclar com sua amiga, que estava longe. Elas costumavam sair e se divertir. Faziam isso todo fim de semana, e às vezes até mesmo nos dias úteis. Eram realmente úteis, pois isso trazia alegria pra ela, felicidade, ainda que momentânea, mas ela sempre defendeu a idéia de que a felicidade não passam de partes que vamos juntando durante a vida e só quando estamos velhos, vemos que éramos felizes, pois já estamos com o todo junto. Enquanto se é jovem, sempre se quer mais e nunca se está satisfeito. Falta alguma coisa sempre. E ela era jovem, por isso sentia que faltava algo pra ela também. Às vezes sabia muito bem o que era, outras não. Sentia apenas um vazio, uma tristeza, algo tão grande que não sabia explicar. Só queria correr e gritar, chorar e chorar e chorar...queria poder pular de um penhasco e cair no mar, mas não queria morrer, apenas fugir e abstrair.
Não queria ser uma pessoa solitária, mas precisava ficar sozinha. Era cosmopolita por natureza e gostava de estar em lugares barulhentos em quando o que mais necessitava era o silêncio e um espaço só pra ela. Fosse pra meditar, escrever ou simplesmente sentir as emoções das músicas que sempre carregava no Ipod. Entrava em transe enquanto escrevia e ouvia suas canções preferidas. Era um momento catártico, era quando se encontrava, quando o turbilhão de emoções efervescia em sua mente e transferia-se para todo seu corpo, inclysive o cérebro e as mãos, fazendo com que corresse atrás de papel e caneta ou até mesmo de um computador pra transcrever que sentia no bloco de notas. Às vezes digitava errado, mas não era isso o que importava, só que ela estava exercitando a transformação de suas emoções e sensações em palavras, em textos , poemas e música.
Ela sempre estava cercada por pessoas quando não queria e isso lhe fazia muito mal, praguejava intimamente e corria pro banehiro pra chorar. Porém, naquele moemento o que ela mais queria era estar com eles, rindo, dançando, jogando conversa fora, dançando... queria poder viver seus vinte e três anos como um jovem normal de vinte três os vive. Mesmo já se achando velha e frustrada numa série de coisas, queria mudar aquele dia, tentar ser feliz por algumas horas, que certmante lhe renderia bons momentos e lembranças depois. Ela soriria espontâneamente viveria algumas horas mais. Não queria mais ser tão amargurada e triste. Tão murcha, sem alegrias. Queria que sua vida voltasse a ter um sentido.
Era tão alegre, mas tão melancólica.
Ela era bipolar. |